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Armazenando água e esperança

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Há pouco mais de oito anos, a rotina de Dona Joana Ferreira, 58 anos, era ir buscar água todos os dias em um poço comunitário que ficava a 30 minutos de sua casa.

Viúva há 12 anos, ela vive em um pequena propriedade de terra  no município de Almeida, no Agreste da Paraíba, com a filha, o genro e duas netas. “O maior problema aqui é a falta de água”, diz.

Em 2000, Dona Joana construiu uma cisterna de coleta de água da chuva em sua casa. O projeto foi executado com recursos de um fundo rotativo do sindicato dos trabalhadores rurais do município. Em três anos, Dona Joana pagou o que devia ao sindicato e outras cisternas puderam ser construídas para outras famílias pobres como a dela.

Posso dizer que minha vida mudou desde então. Com a cisterna, não preciso andar longas distâncias para buscar água potável”, conta.

Dispor de água potável em casa faz muita diferença na vida de Dona Joana. Como muitos agricultores familiares da região, ela acorda todos os dias por volta das 6 da manhã, prepara um café acompanhado de cuscuz de milho, alimenta os seus bezerros e segue para a lavoura junto do genro para plantar feijão, batata doce, milho e mandioca para o consumo da família.  “Só plantamos para comer, mas nunca é suficiente”, conta.

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Os animais são outra importante fonte de renda. “Compro os bezerros por  R$290, crio por dois anos e depois vendo por cerca de R$680. É uma forma de conseguir guardar e ganhar mais um dinheirinho”, conta.

Convivendo com o semi-árido

A construção de cisternas de placa para coleta de água da chuva é uma das estratégias que movimentos sociais e ONGs adotaram para viabilizar a sobrevivência no semi-árido. As chuvas na região são escassas e irregulares, caem somente entre os meses de abril a junho, e o solo é pouco profundo e pedregoso, o que dificulta a retenção de umidade.

A AS-PTA, organização parceira da ActionAid que atua no Agreste paraibano, orienta o uso de outras técnicas como a criação de barragens subterrâneas, para retenção de água no solo, bancos de sementes, para preservar espécies nativas adaptadas ao clima; entre outras técnicas para garantir a alimentação dos animais durante o período de seca.

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