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11/02/2010 - Discutindo a violência doméstica no campo

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Discutir a violência doméstica entre os agricultores que praticam a agroecologia é a prioridade para as 60 trabalhadoras rurais que vivem em comunidades do semi-árido do Nordeste e do Norte de Minas Gerais apoiadas pela ActionAid e suas organizações parceiras.

Esse foi o tema de destaque o encontro Mulheres e Agroecologia, promovido pela ActionAid, entre 9 e 10 de fevereiro, em Triunfo, no interior de Pernambuco.

“Nossa preocupação é a naturalização da violência doméstica e o não identificação do problema. Ao serem perguntadas se sofrem violência, elas dizem que não, mas pouco a pouco os relatos revelam que muitas sofrem restrições por parte dos maridos e, que muitas vezes, se configuram em agressões”, diz Ana Paula Ferreira, Coordenadora do Programa de Direito das Mulheres da ActionAid.

O processo de produção agroecológico  é mais do que evitar o uso de agrotóxicos, supõe relações justas de trabalho. Na agricultura familiar, a produção depende do trabalho da mulher, do marido e dos filhos.

Como os agricultores que produzem de forma agroecológica costuma  se organizar em associações e sindicatos e também em suas próprias comunidades, já existem os espaços para debater publicamente o tema.

“Há casos de mulheres que são constrangidas pelos maridos na hora de freqüentarem reuniões, assumirem lideranças em projetos. Temos que conscientizar as mulheres de que não é algo natural. As mulheres só vão alcançar autonomia financeira se puderem fortalecer umas as outras e se organizarem”, avalia Ferreira.

Entre as propostas elaboradas pelas mulheres, está a criação de linhas de crédito rotativo (em que as próprias comunidades criam um fundo que empresta dinheiro para pequenos empreendimentos) para aquelas que sofrem com a violência doméstica possam investir em alternativas de geração de renda e recomeçarem suas vidas.

Outro aspecto fundamental para retirar o véu que encobre o problema é entender quais forças para além da esfera doméstica colaboram para perpetuar a dependência e a submissão feminina.

“O discurso religioso que pode reforçar a submissão da mulher. Espaços da igreja também tem que ser espaços de fortalecimento das mulher e não de reforçar a submissão”, alertou Rosana Heringer, coordenadora executiva da ActionAid.

Troca de experiências

Além de debaterem e buscarem soluções para os desafios que experimetarem o dia a dia, ela também lançam o livro “Relatos de experiências agroecológicas de mulheres agricultoras” fruto do Projeto Mulheres Construindo a Agroecologia, realizado pela ActionAid, e reúne as experiências de mulheres narradas por elas mesmas.

Na quarta-feira, dia 10, o grupo de dividiu e visitou hortas, criação de animais e centros de produção artesanal em  7 comunidades da região.

O projeto tem como objetivo fortalecer a participação das mulheres na agroecologia e dar visibilidade ao trabalho que realizam diariamente em seus quintais, no cuidado com pequenos animais e hortas e à importância da renda que geram no orçamento familiar com a produção artesanal e a comercialização de seus produtos nas feiras.

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