17/08/2010 - Enchentes no Paquistão são tão graves que vão demandar ajuda sem precedentes, diz Secretário Geral da Onu

No dia 15 de Agosto, o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon esteve no Paquistão e visitou um centro de socorro em Multan, onde se encontrou com vítimas das cheias.
“Estas inundações sem precedentes demandam ações de assistência sem precedentes”, declarou o secretário.
Durante a sua visita, Ban Ki-moon anunciou uma nova remessa de U$ 10 milhões do Fundo Central de Resposta para Emergências (CERF), além dos U$ 16 milhões com que o CERF já havia contribuído.
O nível das águas continua a subir em Sindh e no Baloquistão, duas grandes regiões ao sul do Paquistão.
Apesar dos esforços da comunidade internacional para levar ajuda aos mais necessitados, a imensa área atingida pelas chuvas e a grande quantidade de pessoas a serem atendidas, são as maiores dificuldades das equipes de auxílio e resgate.
A população diretamente afetada pela tragédia já passa dos 16 milhões e esse número tende a aumentar. Até ontem, 1402 pessoas morreram e 2024 ficaram feridas, segundo estimativas oficiais.
Risco de fome em médio e longo prazo
A agricultura é o principal meio de vida de mais de 80% da população atingida pelas cheias. Grande parte dos estoques de sementes foram perdidos, incluindo as sementes do trigo, base da alimentação no país.
É importante plantar o trigo nos meses de setembro e outubro, que são as condições ideais de clima para que ela brote. Caso contrário, o agricultor só vai poder cultivar esse gênero no ano seguinte. As conseqüências disso para a segurança alimentar dos paquistaneses podem ser catastróficas.
Estima-se que 200 mil animais de criação tenham sido perdidos na tragédia, o que também irá se refletir na produção agrícola do país.
Ações de saúde e prevenção de doenças
Uma das maiores preocupações no momento é com relação às doenças de maior ocorrência em locais atingidos por enchentes. Nesse momento, é importante contar com ações que levem em conta higiene e limpeza, para evitar contágios.
A ActionAid tem distribuído kits para esses fins em todas as 8 áreas de trabalho. Médicos também estão sendo levados para atender as vítimas das cheias. No campo de refugiados de Lavyah, uma das áreas de atuação da organização, mais de 600 pessoas receberam atendimento médico.
A ActionAid já está desenvolvendo o seu plano de resposta para as enchentes no país com previsão de ações em longo prazo. O plano está previsto para ser executado em 18 meses e contará com a ajuda da equipe internacional para situações de emergência e conflito da organização.
Até agora 24 mil pessoas receberam ajuda da organização, mas com o plano de atuação espera-se que esse número chegue a 100 mil nos próximos meses.