Há sete anos, na ONU, 191 governantes firmaram o compromisso de diminuir esse flagelo pela metade até 2015. Desde então, o número de pessoas com fome só aumentou, enquanto o que é produzido é suficiente para alimentar o dobro da população do planeta.
A campanha internacional é um conjunto de ações para mudar as políticas, posições e programas de governos, de empresas ou de organizações.Uma delas é a coleta de foto-mensagens em um prato de papel que serão entregues ao secretário-geral da ONU em setembro, durante a Assembléia Geral que acontece em Nova York.
As reivindicações estão divididas em três eixos: fortalecimento dos marcos legais de referência do direito à alimentação (protocolos e códigos internacionais), direito das mulheres à terra e aos recursos naturais e regulação das atividades das corporações.
O Brasil é um dos poucos países que incluiu o combate à fome em sua agenda política com o programa Fome Zero. Em 2004, 14 milhões de brasileiros se encontravam abaixo da linha da pobreza (PNAD, IBGE).
As mulheres são a parcela da população que mais sofre com a privação de alimentos. Na área rural, são descendentes de quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e agricultoras familiares que vêem seus direitos à alimentação e de acesso à terra, e aos demais recursos naturais, sistematicamente negados. Na área urbana, muitas são moradoras de periferia e chefes de família privadas de serviços essenciais como educação, saúde e creches públicas.
Articulação global
Os protestos na Assembléia Geral da ONU, de 18 a 25 de setembro, marcaram o início de uma série de eventos que culminam com o Dia Mundial dos Direitos Humanos (10/12). Foram apresentados 9 estudos de caso sobre situações de pobreza, suas causas e formas de superação em países da América Latina, África e Ásia. O Brasil foi representado pela paraense Cledeneuza Oliveira, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco de Babaçu. Ela falou sobre a luta de mais de 400 mil mulheres pelo acesso à terra e aos recursos naturais nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
O Dia da Mulher Rural (15/10), a reunião anual do Banco Mundial e do FMI (18 e 19/10), os dias internacionais de protesto contra os supermercados (17/11) e dos direitos humanos (10/12) são datas-chave para a discussão da situação da fome no mundo, principalmente no que diz respeito às condições das mulheres rurais, que têm importante papel na produção de alimentos, mas na maioria dos casos não têm direito de acesso à terra.
Já foram coletadas cerca de 2500 foto-mensagens pela ActionAid e seus parceiros. Jovens do interior de São Paulo já aderiram em massa à campanha, por meio da parceria com o projeto Cidadão Mundial da UNESP foram coletadas mais de duas mil foto-mensagens. O projeto promove integração graduandos do curso de Relações Internacionais com alunos do ensino médio da rede pública municipal de Franca desde 2006.
Todas as mensagens escritas nos pratos de papel e as foto-mensagens serão entregues ao secretário-geral da ONU em outubro, no Dia de Mundial de Combate à Fome (16/10), em Roma.
Que quiser participar, pode enviar sua mensagem através do site http://www.hungerfreeplanet.org.
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