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Casa das Mulheres da Maré: espaço oferece apoio e incentiva autonomia feminina

Espaço será dedicado a formação profissional, assessoria psicológica, jurídica e social e discussões de gênero. Objetivo é fortalecer autonomia feminina, combater violência doméstica e orientar mulheres sobre seus direitos. Lançamento da Casa das Mulheres da Maré será no dia 28 de outubro às 10 horas da manhã.

Elas são múltiplas. Mães, esposas, namoradas, trabalhadoras, educadoras, cuidadoras, filhas, estudantes. Elas são muitas, milhares, milhões pelo país afora. E numerosas também na Maré, complexo de favelas que abriga 16 comunidades onde vivem cerca de 132 mil pessoas – sendo 51% mulheres.

Enquanto no Brasil cerca de um terço dos domicílios são chefiados por mulheres, na Maré este número é ainda maior: dos cerca de 40 mil domicílios existentes, nada menos do que 45% são sustentados por elas (segundo o Censo 2010).

Neste contexto, ter um espaço exclusivamente dedicado às mulheres – suas lutas, necessidades, dúvidas, ideias – torna-se fundamental para o desenvolvimento do próprio território. Afinal, grande parte da economia local depende da renda delas, além de serem as responsáveis por direitos históricos conquistados na Maré.

Assim nasce a Casa das Mulheres da Maré – iniciativa da Redes da Maré – que abrigará projetos e serviços voltados para o empoderamento e incentivo à autonomia das mulheres. Situada em um edifício de quatro andares no Parque União, a Casa com 360 metros quadrados tem a fachada ocupada por um painel de azulejos criado a partir de oficinas realizadas com as mulheres. Neste primeiro momento a Casa abrigará o Maré de Sabores, um bem-sucedido projeto que desde 2010 já formou mais de 350 mulheres da Maré.

Hoje, o Maré de Sabores mantém um bufê que atende por encomenda. Assim, o primeiro e segundo andares serão voltados para abrigar uma cozinha industrial e salas de aula – além das oficinas de gastronomia, as alunas participam também de encontros onde são discutidas questões de gênero.

“Estamos estudando a oferta de outros cursos profissionalizantes, já que na Maré existem centenas de estabelecimentos comerciais e de serviços e muitas mulheres trabalham nestes locais”, afirma Shirley Villela, coordenadora da Casa das Mulheres. “Pensamos em cursos avançados de estética e de cabeleireiro, por exemplo, já que na Maré a demanda por estes serviços é grande”, diz.

O Censo de Empreendimentos da Maré mostrou que estabelecimentos de beleza e estética ocupam o segundo lugar dentre comércio e serviços oferecidos no território (são 307 estabelecimentos ou 10,4% do total), atrás apenas de bares (660 estabelecimentos ou 22,4% do total).

Além disso, o índice de mulheres empreendedoras na Maré é alto: cerca de 40% do total de empreendedores. E pelo menos 43% dos trabalhadores empregados nos empreendimentos localizados na Maré são mulheres – o que reforça a necessidade de ampliar programas de qualificação profissional para oportunidades de trabalho em diversos setores, tanto dentro quanto fora da Maré.

Rompendo o ciclo de violência e submissão

Há ainda o fato de muitas destas mulheres sofrerem ou terem sofrido algum tipo de violência doméstica. Muitas se veem aprisionadas a uma situação de dependência financeira e emocional que não permite que elas rompam o ciclo de violência. Desta forma, além da qualificação profissional, é fundamental garantir assistência em diferentes áreas para que elas possam buscar e assegurar os seus direitos, além de se fortalecer psíquica e emocionalmente.

Assim, em breve a Casa das Mulheres receberá núcleos de assessoria jurídica, psicológica e social – todos em parceria com universidades, que cederão estagiários para orientar as mulheres. O primeiro convênio já foi assinado com a UFRJ, por meio do Núcleo de Interdisciplinar de Ações para a Cidadania (NIAC).

“O momento é mais do que propício para a inauguração deste espaço. Embora questões de gênero tenham despontado com força, em episódios extremos de feminicídio e estupros, entendemos que a violência contra a mulher é um problema antigo, que infelizmente sempre ocorreu”, reflete Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré. “Só agora estamos realizando o sonho de inaugurar a Casa das Mulheres, mas ela é fruto de uma luta de décadas, por mais direitos e conquistas”.

A construção da Casa das Mulheres da Maré foi viabilizada com apoios e parcerias: ActionAid (que realizou campanha junto a doadores individuais em 2013), Instituto Lojas Renner (edital púbico em 2014) e Fundação Ireso (parceria institucional da fundação alemã com a Redes da Maré).

Sobre a Redes de Desenvolvimento da Maré - Instituição que atua na Maré com o objetivo de transformar estruturalmente a realidade do território por meio de projetos que articulem diferentes atores sociais. A Redes desenvolve projetos em diferentes áreas, tais como educação, cultura, segurança pública e geração de trabalho e renda. Mais informações:  www.redesdamare.org.br

 

Perfil das mulheres da Maré (Censo 2010)

  • 51% de moradores são mulheres
  • 57% se declaram negras (pretas e pardas)
  • Cerca de 10% não são alfabetizadas
  • Das que passaram pela educação formal, a maioria não chegou ao Ensino Médio
  • 63% das mulheres que trabalham possuem renda mensal entre 1/4 de salário mínimo e 1 salário mínimo
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