A ActionAid é um movimento global de pessoas que trabalham juntas para promover os direitos humanos e vencer a pobreza.

 

Segurança Alimentar

Embora, em 2010, o direito à alimentação tenha sido incluído na constituição, 13,6 milhões de brasileiros continuam passando fome. Para fazer esse direito valer, a ActionAid investe em capacitação no meio rural, produção de conhecimento e mobilização pública.

Em todo o mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome todos os dias. No Brasil, são 16,2 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza¹ e 13,6 milhões sem ter o que comer².

A fome no Brasil tem endereço certo: onde há pobreza e falta de acesso a direitos básicos. Embora os 30,2% dos lares brasileiros onde não há alimentos em quantidade e qualidade suficiente estejam espalhados por todo o país, a fome é mais aguda nas regiões Norte e Nordeste, atingindo, respectivamente, 40,3% e 41,6% dos domicílios².

A fome no Brasil não está relacionada à escassez de comida, mas à falta de acesso das pessoas pobres à renda para consumir e aos meios para produzir e comercializar alimentos.

Causas da fome no Brasil:

  • Alta nos preços de alimentos

2011 foi o ano em que a FAO, o órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação, registrou a maior alta nos preços desde 1990. O aumento dos preços é causado não só por fatores climáticos, mas também pela especulação com alimentos.

  • Adoção de modelo de produção voltado para o agronegócio e a exportação

Apesar da importância dos pequenos agricultores - a agricultura familiar representa 70% dos empregos no campo e é responsável por 70% da produção agrícola no Brasil - a política de liberalização comercial e as pressões do crescimento do agronegócio tem tirado muitos agricultores familiares do mercado.

  • Mudanças climáticas

As pessoas pobres são as mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, porque têm menos acesso aos recursos (financeiros e naturais) para diminuir sua vulnerabilidade. Com o prejuízo às colheitas e à pecuária, causados por enchentes e secas, pequenos agricultores tem a quantidade de alimentos para autoconsumo e comercialização reduzida.

  • Biocombustíveis

A produção dos biocombustíveis geralmente ocorre em detrimento da produção de alimentos, e provoca êxodo, escassez de alimentos, alta de preços, falsas expectativas de geração de empregos e desmatamento. O principal órgão de segurança alimentar internacional, a FAO, recomendou que o G20 anule suas metas de uso de biocombustíveis se quiser evitar que mais 100 milhões de pessoas passem fome no mundo.

O que estamos fazendo:

  •  Apoio à agricultura sustentável

A ActionAid financia a construção de coletores de água de chuva conhecidos como cisternas no semiárido para a criação de hortas comunitárias, além de promover workshops em agroecologia e encontros entre pequenos agricultores para troca de conhecimentos.  Apoia, também, a organização de cooperativas e seu ingresso no Programa de Aquisição de Alimentos do governo, o PAA, que permite que a produção de pequenos agricultores abasteça as cantinas de escolas e de outras instituições públicas. 

  • Apoio à luta de comunidades tradicionais pelo direito de acesso aos recursos naturais

O direito de acesso e controle das populações tradicionais à terras agricultáveis, sementes nativas, água e produtos das florestas  é fundamental para a sua segurança alimentar. A ActionAid apoia, desde 1999, as quebradeiras de coco de babaçu, no Maranhão, em sua luta para continuar vivendo desse recurso natural que é parte da sua história e cultura.

  • Proteção dos direitos dos pequenos agricultores em nível nacional e internacional

A ActionAid está presente nos principais espaços de tomada de decisões que influenciam a segurança alimentar no mundo. Em conferências globais, nós defendemos a causa dos pequenos agricultores e buscamos incidir sobre acordos e leis para impedir que mais pessoas entrem em situação de pobreza e de fome.

¹ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2011)

²  Situação de Insegurança Alimentar no Mundo (Sofi 2013)