Um novo tempo histórico se afirma
Nesse novo tempo, a extrema-direita avança rapidamente, as democracias liberais dão sérios indícios de crise e esgotamento, as violações de direitos humanos se multiplicam, a desigualdade econômica explodiu, os multimilionários e bilionários têm influência crescente nas decisões políticas e econômicas, além de vivermos sob a ameaça iminente do colapso ecológico e climático.
O uso ou ameaça da força bruta por poderes militares voltou a ser o principal instrumento das relações internacionais. Segundo um estudo do Conflict Data Program da Universidade de Uppsala (UCDP), 2024 registrou o maior número de conflitos estatais desde 1946: 61 ao todo, que afetaram 36 países.
O direito ao desenvolvimento precisa ser colocado em questão, bem como precisamos fortalecer as coalizões por reparações históricas, socioculturais ou ecológicas.
Sobre o curso
"Libertação e Reparações: Lutas por autonomia e justiça no século XXI" é um ciclo formativo online, organizado pela ActionAid em parceria com o Programa de Pós-Graduação de Ciências em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com o objetivo de fomentar o pensamento crítico globalmente, conectando pessoas, ações e temáticas a uma agenda mais ampla de transformação sistêmica – articulando o local, o regional e o internacional.
Pesquisadores e representantes da sociedade civil do mundo todo abordarão temas variados em palestras-aula online de até 2h, com possibilidade de participação assíncrona. Os nomes dos respectivos convidados e os links para acesso aos webnários serão informados com antecedência através do Google Classroom e dos e-mails das pessoas inscritas. As informações neste site serão atualizadas ao longo do curso.
Aulas e Panelistas
Próxima aula: 10 de setembro, das 8h às 10h
"Imperialismo Financeiro: a luta pela descolonização da arquitetura financeira internacional e as lições dos movimentos por justiça fiscal, justiça da dívida, resistência à austeridade e feminismo."
O FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial foram criados em 1944, anos antes de a maioria dos países asiáticos e africanos conquistarem a independência. Suas estruturas de tomada de decisões, por conseguinte, serviam aos interesses das poderosas potências coloniais da época. Nos anos seguintes, ajustes pontuais nas suas estruturas foram feitos,porém, transformações mais profundas foram recorrentemente bloqueadas e evitadas. Embora a retórica do FMI e Banco Mundial tenham mudado ao longo do tempo, seus diagnósticos e receitas para os países seguem orientando políticas de austeridade, que aceleram a pobreza e desmantelam serviços públicos.
Lidy Nacpil – Movimento dos Povos Asiáticos sobre Dívida e Desenvolvimento. Lidy Nacpil é uma ativista que trabalha com questões de justiça econômica, ambiental, social e de gênero. Ela é coordenadora do Movimento dos Povos Asiáticos sobre Dívida e Desenvolvimento (Asian Peoples’ Movement on Debt and Development), co-coordenadora da Campanha Global por Justiça Climática (Global Campaign to Demand Climate Justice) e membro do Comitê de Coordenação Global da Aliança Global pela Justiça Tributária (Global Alliance on Tax Justice). Atua como convocadora do Movimento Filipino por Justiça Climática (Philippine Movement for Climate Justice) e é vice-presidente da Coalizão pela Libertação da Dívida (Freedom from Debt Coalition).
Evelyn Muendo – Especialista Sênior em Políticas Públicas da Rede Africana de Justiça Tributária (Tax Justice Network Africa). É responsável pelo programa de Tributação e Arquitetura Financeira Internacional da Tax Justice Network Africa e coordena o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil Africana sobre a Convenção Tributária das Nações Unidas (ONU).
Representante da rede DAWN – Formada por feministas e ativistas do Sul Global
Inscreva-se aqui. Ao se inscrever, você também terá acesso ao ambiente virtual do curso, com gravações de todas as aulas anteriores disponibilizadas.
Aulas anteriores
"Compreendendo e exigindo reparações climáticas"
Explore o que significam as "reparações climáticas", os mecanismos necessários para aplicá-las, as implicações da recente decisão da Corte Internacional de Justiça e como são essas reparações para além do dinheiro.
Harjeet Singh – ex-chefe de Estratégia Política Global da Climate Action Network, atualmente na Fossil Fuel Non-Proliferation Initiative (Iniciativa de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis), uma pessoa fundamental na luta por Perdas e Danos.
Anthony Giancatarino – Parceiro de Estratégia na Taproot Earth – que vem trabalhando com reparações climáticas globais, especialmente com comunidades afrodescendentes.
Morena Hanbury Lemos – autora de "The Case for Structural Colonial and Climate Reparations" (O Caso das Reparações Estruturais Coloniais e Climáticas) e co-autora com Jason Hickel de "Open Veins: Drain from Latin America through Ecologically Unequal Exchange" (Veias Abertas: O Esgotamento da América Latina por meio do Intercâmbio Ecologicamente Desigual).
Flora Vano – ativista climática de Vanuatu que esteve intimamente envolvida na decisão da Corte Internacional de Justiça.
"Aprendendo com as lutas de independência e pós-independência"
Emilia Reyes é uma economista feminista original do México, mestre em Relações Internacionais e em Administração Pública. Seu trabalho desafia as estruturas coloniais de poder que impulsionam as injustiças econômicas e climáticas atuais.
Brian Kagoro é advogado, pensador panafricanista e especialista em governança, que conecta as lutas contemporâneas ao longo do arco dos movimentos de libertação e do período pós-independência na África.
Niranjali Amerasinghe é Diretora da ActionAid nos Estados Unidos, oferecendo uma análise crítica do atual momento geopolítico e de suas implicações para a justiça global e o multilateralismo.
"Teoria e prática feminista decolonial"
Françoise Vergès é teórica política, curadora e escritora, com trabalhos sobre a fabricação racista da morte precoce, feminismo decolonial, a impossibilidade de descolonizar o museu ocidental, desastre climático e políticas antirracistas e anticapitalistas voltadas às necessidades vitais. É Pesquisadora Sênior Associada, Centro Sarah Parker, UCL, Londres. Nascida na Ilha da Reunião (Oceano Índico), um território colonial ultramarino francês até os dias atuais.
Zandile Mabaso é ativista feminista decolonial da África do Sul, líder do movimento Young Urban Women.
Gloria Dzanjalimodzi é escritora feminista do Malawi, defensora da justiça econômica e líder na amplificação das vozes das mulheres nas lutas por libertação e reparação.
"Capitalismo racial e racismo ambiental: o papel da raça como ferramenta de colonização"
Rasigan Maharajh é sul-africano e Professor de Assuntos Públicos na Universidade de Tecnologia de Tshwane, especialista em análise de políticas públicas, com foco na economia política da ciência e tecnologia, nos sistemas de inovação e no desenvolvimento sustentável. Além de ter participado ativamente na luta contra o regime do apartheid, atuou como coordenador nacional do programa de transição em ciência e tecnologia do primeiro governo pós‑apartheid. Escreveu sobre uma ampla variedade de temas, incluindo “Capitalismo Racial, Apartheid e a Democracia Constitucional Pós-Apartheid Negociada”.
Carol Mendonça é brasileira, antropóloga e doutoranda no Museu Nacional/UFRJ. Sua dissertação foi agraciada com o Prêmio Kwanzaa de Estudos Africanos (2023). Seus interesses de pesquisa abrangem relações étnico-raciais no Brasil, processos de etnogênese em Ruanda, justiça social e racismo ambiental, com ênfase em práticas antirracistas e na construção de pedagogias críticas e emancipatórias voltadas à transformação das estruturas de poder e à promoção da emancipação coletiva. Recentemente publicou o livro Aquelas que contam a história (2025).
Arathi Sriprakash é Professora de Sociologia e Educação na Universidade de Oxford. Realizou pesquisas na Índia, Austrália e Reino Unido, analisando a política racial na educação, investigando os processos de apagamento do racismo e da colonialidade, bem como as formas pelas quais o capitalismo racial sustenta injustiças educacionais. Entre suas obras de destaque encontra-se “Black Lives Matter and Global Struggles for Racial Justice in Education”. Ela é coordenadora do Race, Empire and Education Research Collective.
"O movimento por reparações pela escravização, colonialismo e extrativismo"
A cooperação internacional está em declínio crônico, como evidenciado pelos cortes realizados pelos EUA, pelo Reino Unido e pelos países europeus – e por um foco cada vez mais explícito na promoção dos interesses comerciais e de segurança dos países doadores. Em vez de lamentar a perda de formas assistencialistas de apoio, como podemos concentrar nossas energias em alternativas baseadas na justiça – exigindo reparações pela escravidão, pelo colonialismo e pelo extrativismo em curso? O movimento por reparações pelo Tráfico Transatlântico de Escravos é muito forte no Caribe e está crescendo na África, com o Ano/Década de Reparações da União Africana e uma votação decisiva na Assembleia Geral da ONU no final de março de 2026, liderada por Gana e pelo Brasil.
Além da transferência de recursos, que mudanças sistêmicas estão surgindo como demandas centrais dos movimentos de reparações? Como as organizações da sociedade civil, os movimentos e as instituições podem ajudar a acelerar as demandas por reparações?
Dra. Liliane Umubyeyi é co-fundadora do African Futures Lab e é pesquisadora e especialista em Estado de Direito e Acesso à Justiça de Ruanda.
Douglas Belchior é diretor do Instituto de Referência Negra Peregum, co-fundador da Uneafro-Brasil e da Coalizão Negra por Direitos, também é professor de História pela PUC/SP.
Próximos temas
- Para descolonizar a arquitetura financeira internacional: lições dos movimentos por justiça tributária, contra a dívida e a austeridade;
- A luta palestina: história colonial e a continuidade da luta contra o colonialismo de povoamento e o apartheid;
- A nova corrida pela África: o mesmo extrativismo colonial/neoliberal de sempre, agora em busca de minerais “verdes”;
- Libertação das normas de gênero: questionando as normas de gênero e sexualidade impostas pelas potências coloniais;
- Quem deve a quem? Mulheres organizadas contra o endividamento e pela reapropriação social da riqueza.
Inscrições
Inscrições gratuitas. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: formacao.brasil@actionaid.org.