Um novo tempo histórico se afirma
Nesse novo tempo, a extrema-direita avança rapidamente, as democracias liberais dão sérios indícios de crise e esgotamento, as violações de direitos humanos se multiplicam, a desigualdade econômica explodiu, os multimilionários e bilionários têm influência crescente nas decisões políticas e econômicas, além de vivermos sob a ameaça iminente do colapso ecológico e climático.
O uso ou ameaça da força bruta por poderes militares voltou a ser o principal instrumento das relações internacionais. Segundo um estudo do Conflict Data Program da Universidade de Uppsala (UCDP), 2024 registrou o maior número de conflitos estatais desde 1946: 61 ao todo, que afetaram 36 países.
O direito ao desenvolvimento precisa ser colocado em questão, bem como precisamos fortalecer as coalizões por reparações históricas, socioculturais ou ecológicas.
Sobre o curso
"Libertação e Reparações: Lutas por autonomia e justiça no século XXI" é um ciclo formativo online, organizado pela ActionAid em parceria com o Programa de Pós-Graduação de Ciências em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com o objetivo de fomentar o pensamento crítico globalmente, conectando pessoas, ações e temáticas a uma agenda mais ampla de transformação sistêmica – articulando o local, o regional e o internacional.
Pesquisadores e representantes da sociedade civil do mundo todo abordarão temas variados em palestras-aula online de até 2h, com possibilidade de participação assíncrona. Os nomes dos respectivos convidados e os links para acesso aos webnários serão informados com antecedência através do Google Classroom e dos e-mails das pessoas inscritas. As informações neste site serão atualizadas ao longo do curso.
Aulas e Panelistas
Próxima aula: 02 de julho, das 7h às 9h
"Compreendendo e exigindo reparações climáticas"
Explore o que significam as "reparações climáticas", os mecanismos necessários para aplicá-las, as implicações da recente decisão da Corte Internacional de Justiça e como são essas reparações para além do dinheiro.
Harjeet Singh – ex-chefe de Estratégia Política Global da Climate Action Network, atualmente na Fossil Fuel Non-Proliferation Initiative (Iniciativa de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis), uma pessoa fundamental na luta por Perdas e Danos.
Anthony Giancatarino – Parceiro de Estratégia na Taproot Earth – que vem trabalhando com reparações climáticas globais, especialmente com comunidades afrodescendentes.
Morena Hanbury Lemos – autora de "The Case for Structural Colonial and Climate Reparations" (O Caso das Reparações Estruturais Coloniais e Climáticas) e co-autora com Jason Hickel de "Open Veins: Drain from Latin America through Ecologically Unequal Exchange" (Veias Abertas: O Esgotamento da América Latina por meio do Intercâmbio Ecologicamente Desigual).
Flora Vano – ativista climática de Vanuatu que esteve intimamente envolvida na decisão da Corte Internacional de Justiça.
Inscreva-se aqui. Ao se inscrever, você também terá acesso ao ambiente virtual do curso, com gravações de todas as aulas anteriores disponibilizadas.
Aulas anteriores
"Aprendendo com as lutas de independência e pós-independência"
Emilia Reyes é uma economista feminista original do México, mestre em Relações Internacionais e em Administração Pública. Seu trabalho desafia as estruturas coloniais de poder que impulsionam as injustiças econômicas e climáticas atuais.
Brian Kagoro é advogado, pensador panafricanista e especialista em governança, que conecta as lutas contemporâneas ao longo do arco dos movimentos de libertação e do período pós-independência na África.
Niranjali Amerasinghe é Diretora da ActionAid nos Estados Unidos, oferecendo uma análise crítica do atual momento geopolítico e de suas implicações para a justiça global e o multilateralismo.
"Teoria e prática feminista decolonial"
Françoise Vergès é teórica política, curadora e escritora, com trabalhos sobre a fabricação racista da morte precoce, feminismo decolonial, a impossibilidade de descolonizar o museu ocidental, desastre climático e políticas antirracistas e anticapitalistas voltadas às necessidades vitais. É Pesquisadora Sênior Associada, Centro Sarah Parker, UCL, Londres. Nascida na Ilha da Reunião (Oceano Índico), um território colonial ultramarino francês até os dias atuais.
Zandile Mabaso é ativista feminista decolonial da África do Sul, líder do movimento Young Urban Women.
Gloria Dzanjalimodzi é escritora feminista do Malawi, defensora da justiça econômica e líder na amplificação das vozes das mulheres nas lutas por libertação e reparação.
"Capitalismo racial e racismo ambiental: o papel da raça como ferramenta de colonização"
Rasigan Maharajh é sul-africano e Professor de Assuntos Públicos na Universidade de Tecnologia de Tshwane, especialista em análise de políticas públicas, com foco na economia política da ciência e tecnologia, nos sistemas de inovação e no desenvolvimento sustentável. Além de ter participado ativamente na luta contra o regime do apartheid, atuou como coordenador nacional do programa de transição em ciência e tecnologia do primeiro governo pós‑apartheid. Escreveu sobre uma ampla variedade de temas, incluindo “Capitalismo Racial, Apartheid e a Democracia Constitucional Pós-Apartheid Negociada”.
Carol Mendonça é brasileira, antropóloga e doutoranda no Museu Nacional/UFRJ. Sua dissertação foi agraciada com o Prêmio Kwanzaa de Estudos Africanos (2023). Seus interesses de pesquisa abrangem relações étnico-raciais no Brasil, processos de etnogênese em Ruanda, justiça social e racismo ambiental, com ênfase em práticas antirracistas e na construção de pedagogias críticas e emancipatórias voltadas à transformação das estruturas de poder e à promoção da emancipação coletiva. Recentemente publicou o livro Aquelas que contam a história (2025).
Arathi Sriprakash é Professora de Sociologia e Educação na Universidade de Oxford. Realizou pesquisas na Índia, Austrália e Reino Unido, analisando a política racial na educação, investigando os processos de apagamento do racismo e da colonialidade, bem como as formas pelas quais o capitalismo racial sustenta injustiças educacionais. Entre suas obras de destaque encontra-se “Black Lives Matter and Global Struggles for Racial Justice in Education”. Ela é coordenadora do Race, Empire and Education Research Collective.
"O movimento por reparações pela escravização, colonialismo e extrativismo"
A cooperação internacional está em declínio crônico, como evidenciado pelos cortes realizados pelos EUA, pelo Reino Unido e pelos países europeus – e por um foco cada vez mais explícito na promoção dos interesses comerciais e de segurança dos países doadores. Em vez de lamentar a perda de formas assistencialistas de apoio, como podemos concentrar nossas energias em alternativas baseadas na justiça – exigindo reparações pela escravidão, pelo colonialismo e pelo extrativismo em curso? O movimento por reparações pelo Tráfico Transatlântico de Escravos é muito forte no Caribe e está crescendo na África, com o Ano/Década de Reparações da União Africana e uma votação decisiva na Assembleia Geral da ONU no final de março de 2026, liderada por Gana e pelo Brasil.
Além da transferência de recursos, que mudanças sistêmicas estão surgindo como demandas centrais dos movimentos de reparações? Como as organizações da sociedade civil, os movimentos e as instituições podem ajudar a acelerar as demandas por reparações?
Dra. Liliane Umubyeyi é co-fundadora do African Futures Lab e é pesquisadora e especialista em Estado de Direito e Acesso à Justiça de Ruanda.
Douglas Belchior é diretor do Instituto de Referência Negra Peregum, co-fundador da Uneafro-Brasil e da Coalizão Negra por Direitos, também é professor de História pela PUC/SP.
Próximos temas
- Para descolonizar a arquitetura financeira internacional: lições dos movimentos por justiça tributária, contra a dívida e a austeridade;
- A luta palestina: história colonial e a continuidade da luta contra o colonialismo de povoamento e o apartheid;
- A nova corrida pela África: o mesmo extrativismo colonial/neoliberal de sempre, agora em busca de minerais “verdes”;
- Libertação das normas de gênero: questionando as normas de gênero e sexualidade impostas pelas potências coloniais;
- Quem deve a quem? Mulheres organizadas contra o endividamento e pela reapropriação social da riqueza.
Inscrições
Inscrições gratuitas. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: formacao.brasil@actionaid.org.