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Histórias de Mudança Resposta Humanitária

A luta de María e das mulheres de San Isidro para reconstruir vidas após o terremoto na Colômbia.

Data: 02/10/2026 Por: ActionAid

Líder comunitária descreve o impacto do tremor sobre as famílias e a importância da união local para enfrentar o trauma e garantir apoio

“As crianças estão com muito medo. Elas quase não saem para brincar porque dizem: ‘não, vai vir um tremor’.”

O relato é de María, secretária do Comitê Village (Comité Veredal) da comunidade de San Isidro, na Colômbia. Mãe de dois filhos pequenos, ela conta que mesmo dentro de casa o medo se faz presente: “Eles voltam a dormir e acordam gritando: ‘mamãe, mamãe, está tremendo’.”

María conhece cada família de San Isidro. Como responsável pelos censos comunitários, ela identificou quantas pessoas foram afetadas pelo terremoto, quantas crianças e jovens precisam de apoio, quantas casas foram perdidas. Com esses dados em mãos, a comunidade tem conseguido articular a entrada de ajuda humanitária, inclusive por meio de contatos pessoais com organizações como a Cruz Vermelha.

Mulheres como María estão na linha de frente da resposta ao desastre. São elas que organizam as reuniões, fazem os censos, articulam apoios e cuidam das crianças traumatizadas. Mas, quando questionada se conseguiram organizar algo específico para as mulheres, María é sincera: “Não, ainda não. Como somos novas nesse papel, também não temos muita comunicação, muita conexão com colegas de fora”.

É nesse contexto que a ActionAid tem atuado, apoiando organizações comunitárias como a de San Isidro para fortalecer a liderança local, especialmente de mulheres, na resposta a emergências. A organização acredita que quem vive no território conhece os problemas de uma forma que pessoas de fora não conseguem entender — exatamente como diz María: “Quem vem de fora não sabe o que a gente passou aqui, ou o que está passando aqui. É importante que a gente mesma deixe isso claro.”

A situação é ainda mais delicada porque San Isidro é uma comunidade que já conhece o deslocamento forçado. “Todos nós que estamos aqui somos retornados. Fomos todos deslocados em 2014 e em 2022. Em junho deste ano, completamos dois anos desde que voltamos e, honestamente, é algo que não queremos viver de novo”, diz María.

Foto: Lida ​Diaz ​Amado

Apesar das dificuldades, a comunidade escolheu voltar. Segundo María, o retorno trouxe mais liberdade e segurança em comparação à vida no deslocamento. “Aqui a gente é livre, sai quando quer, sem medo de alguém levar um tiro perdido. E aqui tem o rio. Tem comida, você planta, colhe, sem precisar de dinheiro. Lá fora, até por uma banana você precisa de dinheiro”, compara.

As reuniões comunitárias regulares e o diálogo constante têm sido essenciais para manter a união, especialmente entre as mulheres, que assumem papéis de liderança cada vez mais centrais.

“Temos que estar unidos para o que vier, para o que está acontecendo agora, para o que vier depois.”

Enquanto isso, as crianças seguem carregando o peso do trauma. Para María e as mulheres de San Isidro, garantir apoio psicológico e financeiro às famílias é urgente — não apenas para reconstruir casas, mas para reconstruir a infância roubada pelo medo.

Com o apoio de organizações como a ActionAid, que fortalecem a liderança local e amplificam as vozes das comunidades, o futuro pode ser menos incerto. Como diz María: “Temos que estar unidos para o que vier”. E, por enquanto, o que vem é a esperança de que, juntas, possam transformar o medo em força e a dor em recomeço.

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