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Histórias de Mudança Mulheres e Meninas

Como a ActionAid ajuda Eliana a fortalecer outras mulheres e a identidade do território quilombola onde vive

Data: 28/04/2026 Por: ActionAid

Quilombos foram, desde sua origem, espaços enraízados em história e cultura, e ainda hoje representam territórios e pessoas que lutaram por seu direito à terra, à vida e, acima de tudo, ao reconhecimento da sua identidade. Esse é o significado do quilombo Barreiro Branco, localizado no interior de Minas Gerais, e é essa a jornada de Eliana; mãe, agricultora, mulher negra e quilombola, e profundamente orgulhosa de sua identidade.

Esse orgulho, porém, não significa que o caminho foi fácil. Nem o dela, nem o do próprio quilombo.

“Conseguir o reconhecimento do nosso território como quilombo não foi fácil, porque ainda hoje temos famílias que não se veem como quilombolas, em parte pelo preconceito que existe na sociedade. As pessoas vivem no quilombo, mas se esquecem que são quilombolas, e acabam negligenciando nossa cultura e saber ancestral.”

Preservar esse conhecimento é parte do trabalho do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), organização parceira da ActionAid na região, que apoia os povos quilombolas na superação de desafios e na preservação de suas tradições, direitos e costumes. Eliana passou a trabalhar ao lado do CAA-NM em 2005, quando os problemas do território de intensificaram. Desde então, Eliana conta, eles “nos apoiaram, guiaram e ofereceram assistência jurídica. Eu realmente me conectei com o trabalho que eles realizavam e, desde então, mantivemos esse vínculo.”

Outra parte do trabalho em conjunto da ActionAid com o CAA-NM é a viabilização de projetos que buscam fortalecer o avanço socioeconômico local de forma sustentável, principalmente através da independência financeira de mulheres por meio de treinamento e conhecimento técnico; e atividades com crianças e adolescentes no território valorizando a identidade quilombola.

Eliana cresceu acompanhando o pai na lida com a terra e hoje transmite o amor pelo território e orgulho por sua identidade para as filhas / Foto: Valdir Dias / ActionAid
“Os quilombolas têm muito conhecimento ancestral, que veio se perdendo ao longo dos anos, por vários motivos, mas principalmente pelo preconceito que vivenciamos. As pessoas preferem não se considerarem quilombolas para serem aceitas. Mas com apoio isso mudou, começamos a resgatar nossa cultura, resgatar nossa vivência na agricultura, a relação com a terra, os rios."

O fortalecimento das mulheres é parte essencial desse trabalho e, uma das formas, é com a prática quilombola ancestral de cultivo de algodão. A ActionAid e o CAA-NM atuam apoiando na criação de evidências para viabilidade econômica, mostrando sua relevância para o emprego local, sua contribuição para a proteção dos recursos naturais e as capacidades de resiliência das comunidades locais frente as consequências das mudanças climáticas. Eliana é a coordenadora desse projeto no território e aponta como a iniciativa tem sido fundamental em melhorara qualidade de vida e a autonomia financeira de dezenas de mulheres no Barreiro Branco.

“Tinham muitas mulheres que antes eram muito dependentes dos esposos e a partir do momento que elas começaram a ter suas roças com o projeto Cadeia do Algodão, elas têm o dinheiro pra elas, pra comprarem o que querem. Nós chegamos na casa das agricultoras, elas já falam “depois do algodão eu consegui fazer a minha casa”, “depois do algodão eu consegui comprar a minha moto”, “eu comprei a minha bicicleta”, aí você sai dali com uma certeza de que os projetos trouxeram boas coisas pra elas."

É esse trabalho de fortalecimento, não só das mulheres, mas de toda a comunidade, que é essencial para a preservação da identidade quilombola – com dignidade, esperança e resiliência, como afirma Eliana.

“A implantação dos canteiros econômicos, o plantio do algodão, os cursos, as formações, as atividades com as crianças do Enlaçando. Tudo mudou no nosso território, todas as ações são voltadas para a agroecologia, preservação do meio ambiente, preservação da cultura, empoderamento das mulheres e das meninas. Somos gratos por tudo que os Projetos trouxeram pra nós, se não fosse o CAA-NM, a ActionAid e os outros parceiros, nós não saberíamos tanta coisa.”
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