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Histórias de Mudança Mulheres e Meninas

Women By Women: conheça a história de Kleidianny, que levou luta das quebradeiras de coco babaçu para Londres

Data: 19/12/2025 Por: ActionAid
Foto mostra a quebradeira de coco babaçu Kleidianny Ferreira ao lado de seu retrato na exposição Women By Women, em Londres
A quebradeira de coco babaçu Kleidianny Ferreira participou da abertura da exposição Women By Women, em Londres, que retratou mulheres defensoras

Ao longo de 2025, ano da realização da COP30 em Belém, no Brasil, a ActionAid trabalhou para fortalecer e amplificar globalmente as vozes das quebradeiras de coco babaçu como guardiãs das florestas e denunciar as violações que acontecem em seus territórios.

Uma dessas vozes é a de Kleidianny Ferreira, uma das quebradeiras de coco babaçu fotografadas pela artista visual brasileira Nay Jinknss para a exposição “Women By Women – Rooted in Resistence”, realizada pela ActionAid no Reino Unido, que retratou mulheres defensoras da terra do Brasil, Camboja, Nigéria e Nepal.

Kleidianny vive em Monte Alegre, uma comunidade quilombola do estado do Maranhão. Em outubro, ela atravessou o oceano Atlântico para participar da abertura da exposição, em Londres, onde pôde contar sua história e levar a luta das quebradeiras de coco babaçu para encontros com doadores e apoiadores da ActionAid e para ações de advocacy da campanha Fund Our Future junto ao governo britânico.

Foi uma honra enorme me ver aqui entre essas mulheres e como cada uma é em sua essência, em sua natureza, em seu território. As fotografias mostram como sou de verdade, o trabalho que exerço, que é justamente a quebra do coco e mostrando meu produto, aquilo que cultivo e crio

De criança apadrinhada a guardiã da floresta

A coleta de coco babaçu e o ativismo estão no sangue de Kleidianny. Quando criança, ela participava das atividades de apadrinhamento da ActionAid e acompanhava sua mãe entre os palmeirais e nas reuniões comunitárias, onde ouvia a matriarca falar em prol de sua terra e de seu povo.

Sou filha de Maria de Jesus Ferreira de Souza – também conhecida como Dijé, ou Mãe Palmeira – uma liderança política que esteve à frente dos movimentos sociais, lutando pela preservação dos babaçuais e defendendo os territórios quilombolas e ribeirinhos.

Hoje, aos 36 anos, ela dá continuidade ao legado da mãe. Kleidianny é a coordenadora geral da Association of Women Coconut Breakers (AMTQC) do município de São Luiz Gonzaga, liderando um poderoso coletivo de 80 mulheres na defesa de suas terras ancestrais e na preservação da palmeira de babaçu.

Se agora sou uma guardiã da floresta, uma mulher que faz parte de movimento social, que luta, que está à frente de uma organização de mulheres, se eu cheguei até aqui hoje, é também porque sou fruto do trabalho que a ActionAid desenvolve dentro dos territórios. Eu fui uma criança apadrinhada e hoje estou aqui para contar a minha história e a história de luta de outras milhares de mulheres que lutam por uma floresta em pé.

Kleidianny falou sobre a sua história na abertura da exposição Women by Women, em Londres. Foto: BettyLaura Zapata/ActionAid

Em sua trajetória no movimento, Kleidianny tem se dedicado a defender a nacionalização da Lei do Babaçu Livre, que impede a derrubada das palmeiras e permite que as quebradeiras de coco acessem livremente os babaçuais, mesmo em terras privadas, garantindo a preservação das florestas e de seu modo de vida.

Para mim, a palmeira é uma mãe, uma mãe de muitas mães, porque é ela que ajuda a sustentar milhares e milhares de famílias no nordeste do Brasil. É por isso que estamos lutando hoje para preservar nossas florestas em pé. Mas a lei não prevalece para quem realmente precisa. Há cercas que nos proíbem de entrar em certos espaços. Nós, as quebradeiras de coco que organizamos esse movimento, sentimos que nossos direitos são violados todos os dias.

Fund Our Future: defesa do babaçu na agenda global

Em Londres, Kleidianny e Silvianete Matos, secretária executiva da Associação das Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão (ASSEMA), parceira da ActionAid Brasil, participaram de reuniões no parlamento e em órgãos do governo britânico, como parte das ações da campanha Fund Our Future no Reino Unido. Elas denunciaram os impactos dos fluxos financeiros internacionais para operações do agronegócio, ligadas à destruição do clima, ao desmatamento, à poluição ambiental e ao deslocamento de povos tradicionais e comunidades indígenas, com mulheres e meninas particularmente afetadas.

Kleidianny falou sobre a importância de levar de representar suas companheiras fora do Brasil:
Estou aqui como a voz das milhares de mulheres que defendem esse território, para trazer nossa história de luta e resistência pela preservação dos babaçuais. Só assim as pessoas aqui, do outro lado do mundo, vão saber que as quebradeiras de coco existem. Essa visibilidade é importante justamente para que as mulheres sejam respeitadas e nosso território seja valorizado e reconhecido.

Um dos objetivos dos encontros ere pressionar para que o governo britânico introduza uma nova Lei de Negócios, Direitos Humanos e Meio Ambiente sensível às questões de gênero, que garanta que as empresas e instituições financeiras britânicas sejam responsabilizadas por seus danos aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Kleidianny e Silvianete participaram de encontros com governo britânico como parte da campanha Fund Our Future. Foto: Matthew Supersad/ActionAid

O grupo também enviou uma carta ao governo pedindo a nova lei, assinada pela ActionAid UK e ActionAid Brasil, bem como por movimentos sociais e organizações de direitos das mulheres, como ASSEMA, AMTQC e Brazil Matters.

Silvianete Matos, da ASSEMA, disse:

As mulheres corajosas do nordeste do Brasil que lideram movimentos sociais poderosos para defender suas terras alcançaram muitos sucessos, mas isso por si só não é suficiente: é preciso que haja leis em vigor que possam responsabilizar as empresas do agronegócio que causam a destruição ambiental. Apelamos ao governo do Reino Unido para que tome medidas decisivas e apoie as quebradoras de coco e outras mulheres que defendem suas terras e ecossistemas preciosos contra danos.

Durante a exposição em Londres, Kleidianny também se encontrou com uma integrante da realeza britânica, a Duquesa de Edimburgo, que visitou a mostra “Women By Women” e conheceu de perto a trajetória das mulheres defensoras da terra retratadas na exposição.

A Duquesa conversou com Kleidianny sobre a importância do babaçu para o sustento de milhares de famílias no Nordeste do Brasil e sobre a luta coletiva das quebradeiras de coco contra o desmatamento e os impactos do agronegócio.

O encontro reforçou a visibilidade internacional da resistência das mulheres do Maranhão e o reconhecimento global de seu papel na proteção das florestas e dos modos de vida tradicionais

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